Indignação (latim indignativo, -onis) s. f.
1. Ato ou efeito de se indignar.
2. Sentimento de fúria ou desprezo, geralmente provocado por algo considerado ofensivo, injusto ou incorreto. = AGASTAMENTO 
3. [Por extensão] Ira, ódio, raiva.
Indignar (latim indignor, -ari, desprezar, zangar-se) v. tr. e pron.
1. Causar ou sentir indignação. = AGASTAR, INDISPOR
2. [Por extensão] Irar, revoltar, designar-se.
A palavra desta vez é indignação… sei que é muito atual mas este blogue nunca foi dado a muitas atualidades… mas aqui vai…
A Indignação é um palavrão que hoje em dia está na boca de todos, como uma pastilha Gorila nos tempos da nossa infância… é até um sentimento ao qual nem ligo muito, porque está diretamente ligado / associado à raiva e à fúria, e estas são “cenas” que eu tento soltar rapidamente de dentro de mim, porque são corrosivas e fazem mal (como frascos de pickles às 6 da manhã…)
O que é que me indigna?… lol… pensando no assunto, muita coisa, mas como a indignação para mim não é sinonimo de resignação, tento sempre fazer alguma coisa…e tento sempre… sempre… sabem disso…
Porém:
Indigna-me as pessoas que cospem para o chão… acha nojento, e os sentimentos associados a esta palavra saltam-me nas veias como se quisessem sair pelos pulsos teias do Homem Aranha…
Indigna-me o facto de ter horas para trabalhar… isto de entrar a uma hora da manha e sair a certa hora da tarde não vale nada… porque aliás há alturas em que não apetece trabalhar, e por mais que se queira, não si nada de jeito… e depois há outras alturas que até me apetece, e muito… e em vez de produzir, escrevo e escrevinho no meu “Caderno de Caça” (sim, há hábitos que nunca se perdem…) e depois tenho de passar tudo para o batente das teclas pretas e o ecrã de leeds…
Indigna-me as pessoas que não fazem piscas. Os buracos na estrada. A indecência de um hambúrguer ter tanta centena de calorias. Indigna-me o preço das entradas no Museus e dos concertos de Jazz. As pessoas a mascarem pastilha de boa aberta. O comer de boca aberta. Que haja adultos que não saibam quem foi o último rei de Portugal (alguns nem o primeiro…). Que digam que o vinho do Alentejo é melhor que o do Dão. Indigna-me não saber quem são os meus representantes ao parlamento – não os conheço em lado nenhum e não foi neles que votei (nem faço a mínima ideia no que pensam, porque nunca os ouvi em público expressar as suas opiniões e eu até sou uma cidadã participativa…). Indigna-se que essas pessoas nunca tenham realizado mais valias verdadeiramente reconhecidas para a sociedade, que não sejam os melhores dos melhores – e mesmo assim representam-me… Indigna-me as taxas do crédito. Indigna-me que as pessoas não tenham um quintal para cultivar hortaliças (como eu) e indigna-me as pessoas que vivem de aparências – tipo que gastam fortunas em roupa e em copos e depois devem dinheiro a Deus e ao mundo. Indigna-me as pessoas que não querem trabalhar e os salários baixos de quem trabalha mesmo muito. Indigna-me que as marcas de roupa não a façam em tamanho de adulto, porque é impossível uma mulher normal caber dentro daqueles números. Indigna-se que tudo o que se faça lá fora seja melhor do que aqui (e estas pessoas não percebem quando sou intransigente ao não comprar fruta nem legumes espanhóis…).
Indigna-me a falta de romantismo, de contacto físico. Indigna-me as pessoas não darem abraços. Indigna-me a falta de companheirismo, o não saber trabalhar em equipa, na sociedade em que vivemos. Indigna-me as pessoas que não tentam. Indigna-me a indecisão. Indigna-me o desamor. Indigna-me a inveja ( e esta mesmo muito). Indigna-me só agora ter descoberto as letras dos Coldplay. Indigna-me as pessoas que comem que nem brutas e que não engordam. Indigna-me. Indigna-me. Indigna-me.
E sinceramente, indigna-me que com tanta coisa bonita para escrever, me pedem para falar de indignação.
Indigno-me!









