Mote
Estou particularmente assoberbada de trabalho…
E às vezes, por mais que se invoque, a inspiração não desce…
Então pensei: porque é que não faço o meu exercício mais livre de escrita e partilhar o que e vai na Alma sobre este assunto, como já partilhei tantas reflexões na minha vida com pessoas que nunca vi, nem nunca vou ver se calhar, que conhecem o mais profundo de mim…
E aqui vai (a pedido) de mim para mim…
O objecto que reflecte a minha vida…
Caneta Molin
A minha relação com A caneta Molin, e desculpem se a trato no singular, mas para mim é um objecto único, embora cresçam aqui em casa por todos os lados, mais do “pop up”, assim como xilófagos malucos, começou relativamente à pouco tempo…
Pouco tempo, pois sempre foi o objecto sempre presente, sempre seguro, sempre fiável, sempre ali.
Dei-me conta que ele lá estava, num dia que precisava de uma caneta vermelha, fui a uma loja de esquina em Lisboa, onde estudava e pedi: “Queria uma caneta Molin vermelha, se faz favor”.
A senhora, que me conhecia de lá ir comprar cromos do Europeu de Futebol (de Inglaterra, em 2000), o que ela já achava muito estranho, porque eu já era bem adulta, e fazia, veja-se lá, colecção de cromos da Panini, olhou para mim com um olhar, como calculam, o que me marca que eu nunca vou esquecer… e disse - “Molin? Ó menina, a Molin já fechou à muito tempo!!! Arranjo-lhe uma Bic, quer?
E eu olhei para a senhora, com os olhos que penso que ela nunca vai esquecer… - Já não à canetas Molin?
-Haver, há… tente ali na papelaria do outro lado das fontes, ao pé da retrosaria, que ele só tem coisas velhas. Mas de certeza que não pode ser uma das outras?
E eu respondi que não, agradeci, e para recompensar, toma lá mais cinco cadernetas de cromos…
Mas eu sou uma pessoa teimosa: atravessei as fontes, cheguei ao pé da retrosaria e entrei numa das papelarias mais velhas que alguma vez vi - e não digo a mais velha porque adoro e respeito a papelaria Camões, ali ao pé do Liceu, que é um icon das coisas velhas mais que velhas.
Voltei a pedir: “Tem canetas Molin?” - e a seguir veio o alívio - “veja para aqui, menina, são estas?” - “Só tem estas?”, perguntei eu, sem saber a onde esta pergunta me a levar na minha vida - “Não, tenho ali mais algumas, mas são vermelhas e verdes e acho que umas pretas”….
E aqui faço a pausa necessária - porque quem me conhece sabe a onde a minha resposta me levou
“Levo-as todas!”
E assim começou a minha relação com A caneta Molin…
E escrever e recordar esta história, que eu já não me lembrava há tanto tempo, foi o mote que eu estava a precisar: agora posso começar falar da minha relação com A caneta Molin…
R.