Wednesday, January 24, 2007

Mote

 

Estou particularmente assoberbada de trabalho…

E às vezes, por mais que se invoque, a inspiração não desce…

Então pensei: porque é que não faço o meu exercício mais livre de escrita e partilhar o que e vai na Alma sobre este assunto, como já partilhei tantas reflexões na minha vida com pessoas que nunca vi, nem nunca vou ver se calhar, que conhecem o mais profundo de mim…

E aqui vai (a pedido) de mim para mim…

O objecto que reflecte a minha vida…

 

Caneta Molin

 A minha relação com A caneta Molin, e desculpem se a trato no singular, mas para mim é um objecto único, embora cresçam aqui em casa por todos os lados, mais do “pop up”, assim como xilófagos malucos, começou relativamente à pouco tempo…

Pouco tempo, pois sempre foi o objecto sempre presente, sempre seguro, sempre fiável, sempre ali.

Dei-me conta que ele lá estava, num dia que precisava de uma caneta vermelha, fui a uma loja de esquina em Lisboa, onde estudava e pedi: “Queria uma caneta Molin vermelha, se faz favor”.

A senhora, que me conhecia de lá ir comprar cromos do Europeu de Futebol (de Inglaterra, em 2000), o que ela já achava muito estranho, porque eu já era bem adulta, e fazia, veja-se lá, colecção de cromos da Panini, olhou para mim com um olhar, como calculam, o que me marca que eu nunca vou esquecer… e disse - “Molin? Ó menina, a Molin já fechou à muito tempo!!! Arranjo-lhe uma Bic, quer?

E eu olhei para a senhora, com os olhos que penso que ela nunca vai esquecer… - Já não à canetas Molin?

-Haver, há… tente ali na papelaria do outro lado das fontes, ao pé da retrosaria, que ele só tem coisas velhas. Mas de certeza que não pode ser uma das outras?

E eu respondi que não, agradeci, e para recompensar, toma lá mais cinco cadernetas de cromos…

Mas eu sou uma pessoa teimosa: atravessei as fontes, cheguei ao pé da retrosaria e entrei numa das papelarias mais velhas que alguma vez vi - e não digo a mais velha porque adoro e respeito a papelaria Camões, ali ao pé do Liceu, que é um icon das coisas velhas mais que velhas.

Voltei a pedir: “Tem canetas Molin?” - e a seguir veio o alívio - “veja para aqui, menina, são estas?” - “Só tem estas?”, perguntei eu, sem saber a onde esta pergunta me a levar na minha vida - “Não, tenho ali mais algumas, mas são vermelhas e verdes e acho que umas pretas”….

E aqui faço a pausa necessária - porque quem me conhece sabe a onde a minha resposta me levou

“Levo-as todas!”

E assim começou a minha relação com A caneta Molin…

E escrever e recordar esta história, que eu já não me lembrava há tanto tempo, foi o mote que eu estava a precisar: agora posso começar falar da minha relação com A caneta Molin…

 

R.

Posted by Ritocas at 21:35:58 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, January 20, 2007

Se é mais do que escrever por escrever…

 

SE

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.


De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!


Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho

Rudyard Kipling

Hoje, apetece-me escrever…

Não contar o que me vai na alma, não fazer reflexões filosóficas, não pensa e repensar a vida e tubo o que nela existe…

Hoje, apetece-me escrever para sentir o poder das palavras, que ficam guardadas para sempre, como que cravadas no âmago mais profundo…

Hoje, quero sentir esse dom…

Quero sentir-me cheia de palavras, que embora muitas vezes parecem vazias, enchem a Alma de Amor, sentimentos e muito carinho…

Recebi em tempos uma mensagem tipo SMS, daquelas muito em voga, que voltaram a encher a minha vida de palavras… sou pouco de enviar SMS, mas percebo, que numa frase imortalizada em palavras, pode sempre ser sinónimo de alegria…

Essa frase dizia -  Calhou m axim na tampa de iogurte que dizia “Gosto e ti ao natural!”lembrei m d ti.. Bjinhos. Obrigado N.

E esta frase imortalizou-se no meu pensamento… Cada vez que estou a fugir do “meu” natural lembro-me “Gosto de ti ao natural”… e tento voltar ao que já perdi à muito….

O poema do Kipling é para mim muito especial: primeiro porque prefiro a tradução em português do Brasil, mais propriamente do que a de Portugal, depois porque era de certeza um dos preferidos do AM (a julgar pela quantidade de cópias que há no MAM. E depois aquela frase:

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.

Estas são as palavras que hoje enchem a minha Alma… que sejam eternas, enquanto durem

R.

 

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Thursday, January 18, 2007

Crossroads

 

Não tenho nada na minha mente…

Nada para recordar

Nada para esquecer

Nada para arrepender

Mas tenho o interior apertado

Ninguém sabe bem o que tenho

Ma sei que o exterior

O que fui não sou, mais…

 

Sabes, ouvi falar de pessoas como eu

Mas nunca percebi

Que caminham um caminho

Para as libertar

E vêm que estão no caminho errado

E não preciso voltar a traz

Porque todos os caminhos levam a onde estou

E eu acredito que os fizemos todos

Mesmo sem termos planeado

 

Consegues lembras-Te de quem fui

Consegues senti-lo

Consegues achar a minha dor

Consegues curá-la

E estender as Tuas mãos para mim

E tirar esta sombra da minha alma

Só Tu podes iluminar o meu caminho

Só Tu me fazes inteiro

Uma vez mais

 

Caminhamos juntos pelo mesmo caminho

Por todos o tipo de tempos ventosos

Mas essa nunca foi a nossa derrota

Desde que caminhássemos juntos

E não é preciso voltar a traz

Porque todos os caminhos

Levam a onde estamos

E acredito que os fizemos todos

Mesmo sem ter planeado….

 

Dom McLean

Uma Música, muitas vidas - a Minha Vida

R.

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Wednesday, January 17, 2007

Sorrir e Acenar - Parte II

  Penso que este título vai ser recorrente neste blog.

Detesto e simplesmente detesto quando tenho de estar com pessoas que não quero, que são antipáticas, até roçam um pouquinho a má educação…

E tenho de over and over ficar ali a “Sorrir e Acenar”´

R.

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Thursday, January 11, 2007

Descargo de Consciência

 

Escrevo este post como um descargo de consciência…

 

Até que ponto este mundo, esta sociedade que apelidamos de nossa, é justa, que nos faz dar o litro por algo e depois no retira quase tudo…

O que se passa no mundo real é isso mesmo… damos tudo, tudo:

 

O tempo

A saúde

O cansaço

As ideias

Os sentimentos

As emoções

 

E depois escorre tudo pela rua a baixo, como não fosse mais que uma enchurrada numa tarde de Inverno…

 

E depois, vem o vazio….

 

Hoje é de facto o meu último dia de trabalho oficial…

 

Amanhã, quando acordar estou desempregada…

 

E ainda há tanto, tanto para fazer…

 

R.

Posted by Ritocas at 17:33:07 | Permalink | Comments (1) »