Saturday, March 24, 2007

Sons II

Esta é a música deste meu momento…

Sem Limite

Soltei a voz ao vento
Deixei o rio correr
E fiz tudo o que eu bem quis
A meu contento

E a voz correu, que o rio sou eu
E o que eu quiser, e ao que me der
” Que a vida só se dá p’ra quem se deu “

No espelho em que me vejo
Não vejo mais nem sombras, medos
Eu só vejo o que eu desejo

E habito assim, o mais de mim
Na claridade, da realidade
Que o medo, de ter medos, tem seu fim.

E abri as asas
E fui voar
E fui ser tudo o que eu sempre quis
Que o meu limite
Sou eu quem traço
E eu que desfaço
Sempre que eu assim quiser

in Encatamento de Mafalda Arnauth

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Thursday, March 22, 2007

Sons

 

A música é parte integrante da minha vida…

Eu sei, quem me conhece sabe que associo todos os percursos da minha vida a músicas que habitualmente sei de cor e que cantarolo sempre que posso… e os sons, aqueles como o abrir de uma porta, o pop de uma garrafa de champanhe ou as penas a roçarem os lençóis de linho…

A musica que define a fase da vida em que estou, como sabem, é o I’ll Survive da Gloria Gaynor… a coincidência que descobri à dias, é que essa música foi a grande música, o grande sucesso do ano em que nasci… que coincidência, a música que cantei - e ainda canto de vez em quando - em altos berros - nos tempos infinitos que passo atrás de um volante - nasceu quando eu nasci… (sorrio)

As músicas que marcaram inegavelmente a minha vida, transportam-me sempre para os lugares onde eu fui feliz, lugares e momentos que me marcaram… “Meus lindos olhos” reporta-me para o meu jardim, com um sentimento… “American Pie” reporta-me para o conforto do colo dos meus manos a tentem-me adormecer… Frank Sinatra devolve-me a minha infância e The Cure e Nirvana, a minha adolescência… Mafalda teve às minhas escolhas e Infantuna a momentos, dos mais bonitos que já vivi (e agora as lágrimas correm…)… Trovante à essência do meu ser, de cada vez que ouço o Sorriso, pelas verdades puras que sei de cor e que repito vezes sem conta, porque na minha cabeça, todas estas as músicas, são mesmo disco riscado…

Daí o ter sentido que de facto, este mundo gira sobre um mesmo eixo - o eixo que faz com a música que está a ajudar-me a ultrapassar esta fases menos boa - deixemo-nos de tretas - má - da minha vida, tenha nascido quando eu nasci…

E hoje, a data de hoje, merece também a sua música… mas não sei qual: não uma musica de raiva, não uma música de dor - mas uma música que me faça sentir bem…e escolho… LOL… escolho o crepitar das chamas, porque para além de me aquecerem o corpo, há um mês, aqueceram-me a Alma…

E hoje, eu quero ter esse som em mim…

R.

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Wednesday, March 21, 2007

À Maria

 

Á minha sobrinha e afilhada escutista Maria:

- Que sejas tão feliz e que vivas tanto ou mais do que eu vivi, nesta união e amizade fantásica que é o mundo escutista: goza, brinca, aprende, diverte-te e tudo o resto… porque as amizades que aí fizeres, podem não ser para tda a vida, mas vão com certeza durar uma…

Canhota muito grande!

TRM

 

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Caridade

  A caridade é boa! A caridade é fixe! A caridade faz bem!!!

E como diz o Livro Sagrado “o que importa a vida se não houver a caridade”

Mas, será caridade o dar uma esmola na rua? Oferecer uns quilos de arroz nas campanhas de recolha de alimentos? Distribuir uns brinquedos no Natal?

E a capacidade para definir o que é caridade ou piedade? Ou quem é necessitado e quem não é? Conheço muitas pessoas endinheiradas que precisam mais de caridade do que os sem abrigo, porque não conseguem ser pessoas melhores - e se calhar, com a caridade - e na maioria das vezes paciência e capacidade de suportar ofensas e desaforos - tornar-se-iam pessoas melhores…

Eu não sou de maneira nenhuma adepta da caridadezinha!

Caridade é não julgar!

Caridade é olhar e falar a todos de igual forma, sem pedantismos ou teorias da superioridade!

Caridade é a essência do mais puro que há no ser humano, o Amar desinteressadamente, e não por ser conveniente ou por ficar bem! E é só no momento, porque a longo prazo, quem é que está a alimentar o sem abrigo, ou a distribuir comida num centro de acolhimento ou até a ler histórias ao pé da cama daquela família destroçada pelo álcool em que dormem oito num quarto, que também é cozinha e casa de banho?

Confesso que não consigo fazer caridadezinha! Não consigo, porque sinto que era ser hipócrita, falso e agir só pelas aparências. Só ajudo quem quer ser ajudado, não quem quer a piedade como forma de remissão pelos pecados, muitos deles consumistas que alimentam o círculo vicioso, para que haja quem queira caridadezinha.

Caridade faz-se no olhar, no agir e no sentir! Principalmente no agir, no dia a dia, no envolvimento em projectos de fundo e de raiz, como fazer voluntariado constante, tipo o ir visitar todos os dias ou semanas pessoas idosas que estão sozinhas - a dificuldade é que, não é visível, e é até muito aborrecido estar tempos que parecem infinitos em casas que cheiram a naftalina, a ouvir falar de doenças e observar todos os aspectos maus, e friso que são maus, da velhice, porque “todos fogem de ti para não ver a imagem da solidão que iram viver quando forem como tu, um Velho sentado num jardim”. Esta é a caridade, a pura, a que custa infinitos de sacrifício, como o levantar bem cedo e fazer da rotina do ajudar, não por piedade, mas por QUERER fazer o Bem, ser pessoas Melhores…

E nesse querer, ENCHER o coração por mais um obstáculo que se venceu, porque de facto, se está a ajudar alguém a ter uma vida melhor e não um só momento bom… É aceitar um desafio constante, não momentâneo…

Por isso, peço desculpa, não me peçam para ajudar a fazer a caridadezinha, porque eu posso ser muitas coisas, mas estou bem cheia de vida,  não não oca.

R.

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Sunday, March 18, 2007

O cheiro de terra molhada

Quem segue com regularidade este blog, assiste a desabafos sobre o que me vai na Alma, umas vezes deprimente e até constrangedor, outras vezes cheio de Amor profundo pela vida e tudo que ela contém…

Há tempos, escrevi sobre os Bons Amigos, daqueles que suportam tudo connosco, que, mesmo sem nos dizerem, estão só ali… Mas também escrevi… Bem, escrevi…

Hoje, trinco a língua e engulo o veneno…

Os Bons Amigos, por mais contrariedades que a vida nos traga, são sempre Bons Amigos…

E mesmo que julguemos que eles não estão lá, estão…

Por isso, hoje, e em especial no dia de hoje, o meu OBRIGADO… por tudo… e quando digo tudo é por aturarem as paranóias, por não se rirem das minhas teorias, por mais absurdas que pareçam, por gostarem da minha culinária e, principalmente, por querem a minha companhia… É nestas alturas que a vida não parece tão agreste e que uma tempestade é só uma tempestade… e depois dela, vem sempre aquele cheirinho bom a terra molhada e lavada da chuva torrente…

Aliás, os Bons Momentos, são aqueles passados com essa sensação, com a sensação de libertação de energia, por mais uma cerveja ou um copo de vinho doce, ou então pela sensação de limpeza da Alma, tal como a terra depois de uma tempestade… Aquela sensação agradável, como o mundo inteiro que vive em harmonia (mas com h), no qual tem sempre de haver enxurradas, para podermos sentir o cheirinho da terra molhada…

E essa sensação é, sem dúvida, uma das melhores sensações que se pode ter, mesmo que a vida esteja em tempestade, existem estes momentos que são bons…

Obrigado, obrigado mesmo por tudo, Amigos…

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Thursday, March 15, 2007

Imagens que perduram

 


   

A imagem é o centro pelo qual regemos a nossa vida… a imagem que queremos transmitir, a imagem que de facto transmitimos, a imagem que passa ou até a imagem que perdura…

As imagens ficam gravadas na nossa mente como crivos marcados que se prolongam ao longo da vida, umas boas, outras más, mas ficam lá sempre algumas…

O central, o que me vai na Alma, é se será ou não importante que essas imagens se registem de forma visual, de modo a ficarem na mente de muitos, que possam gravar e marcar, para poderem ser vistas e revistas vezes sem conta…

Será que é importante ficar recordado em imagem? Ou será que basta a certeza pessoal que participamos nesses momentos e que de algum modo contribuímos para que eles corressem de feição?

Esta premissa não subentende a vontade de aparecer e de ser protagonista, pelo contrário! Mas também é um facto que, só é recordado quem se fala ou quem se vê! Mas se não estivermos gravados em imagens, será que vamos ser lembrados? Ou será que a nossa imagem, a que transmitimos ou que queremos transmitir, ficará guardada na memória, se não for visualizada?

Nunca fui pessoa de aparecer muito em fotografias! Gosto mais de as tirar, de ter o deleite de gravar a minha visão e desta forma, um pouco egoísta, imortalizar a minha maneira de ver o mundo!

Mas de uma coisa (agora) sei - se não ficar a minha imagem também gravada e associada a esses (bons) momentos, é como se eu não tivesse existido neles…

E isso, não quero! E posso dizer, hoje, que compreendi que quero que a minha imagem fique inegavelmente marcada nos momentos que vivi e que vou viver…

R.

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Monday, March 12, 2007

A necessidade de comunicar

Este post é, numa primeira análise - e para o P. e o L - uma provocação…

Repetidas vezes me deparei com a necessidade de comunicar e dirigi-me ao pc mais próximo e teclei, o mais depressa que podia, algo a alguém, ou partilhei, neste veículo fantástico que é o mundo bloguista, o meu pensamento, por mais desviante que fosse…

Mas a necessidae de comunicação é inerente a todo o ser, nomeadamente ao ser Humano… mas o que se verifica, cada vez mais, não é a necesidade de utilizar uma linguagem de proximidade, mas sim uma linguagem pouco pessoal, descarnada, virtual.

Falo da maneira rápida e galopante que este veículo está a subsituir o contacto pessoal…Quantas pessoas que nós conhecemos não têm a necessidade de olhar nos olhos das outras e de ver o seu sorriso e de ler a Alma - substituindo isso por imensos LOL’s e smiles…

Será que estamos a ficar tão individualistas ao ponto de levarmos para os locais de contacto e convívio por excelência os portáteis e os PDA’s? Não digo que não o faça, como agora, sentada à frente de um PC público, num bar como outro qualquer, mas será que se conseguem construir relações de proximidade num mundo virtual?

 Confesso que fiquei a reler ouver and ouver esta última frase…

Coloco outra questão, será a nossa de necessidade de  comunicação tão forte que tenhamos de estabelecer relações virtuais com o maior número possível de pessoas, por imperativos do dia a dia e por falta de disponibilidade mental para investir numa relação de proximidade, em que a distância física permite haver uma distância emocional….

Será que o egoismo e o egocentrismo, característico e omnipresente no nosso dia a dia e nos que nos rodeiam - está a demonstrar o seu exponente máximo na criação de relações virtuais, nunca substânciadas por uma presença real e física?

Meus amigos, eu gosto muito de vocês na net, mas prefiro ao natural, ao vivo e a cores, de modo a poder olhar nos vossos olhos e poder ver o que vos vai na Alma…

R. 

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Thursday, March 8, 2007

O dia das Gajas

Hoje é o dia das gajas…

Hoje brinda-se ao feminino, ao duradouro, à beleza, ao sentimento, à lamechice…

A ver o “belo” do Benfica, de volta de uma qualquer mesa de um bar, a beber a bela da bejeca e, só o comer tremoços, é que poderá ser substituído pelo belo do minuim…

Há dias apelidaram-me indirectamente de selvagem por gostar de futebol e até penso que o que mais chocou não foi o facto em si, de haver pessoas que gostem de ver a bola, que vão aos estádios e que até paguem as quotas do clube do seu coração.

O que chocou foi o facto de eu ser Mulher…

E, este dia, penso ser o ideal para falar disso…

Eu gosto de futebol: gosto da movimentação, das jogadas, da coordenação e dos movimentos, que, quando perfeitos, daqueles que over and over passam em todos os spots televisivos, que quase parecem ballet da Companhia de Bailado Russa, a dançar o quebra-nozes…

Gosto do enevoado do balneário, do cheiro a banhinho tomado, dos gritos de raiva ou de alegria, dos abraços suados e cansados e o chegar ao fim e o sabor de dizer - consegui…

Gosto de chamar os jogadores pelos nomes, sem ser pelos apelidos ou alcunhas e saber os clubes pelos quais eles jogaram, bem como o dos treinadores, os estádios, os adeptos e tudo o que paralelamente gira à volta deste mundo…

Gosto do cheiro da relva, principalmente quando molhada, gosto do sol a bater na cara, do som duro da bola a bater no chão…

E mesmo longe do campo, gosto do enevoado do café, do tremido da imagem na televisão, do Hino, cantado de pé, da cerveja fresquinha e dos snaks que fazem tão mal, e que às vezes, só sabem bem neste dia…

E no dia da Mulher, estou a descrever os gostos de um Homem? Não, estou a descrever os gostos de uma pessoa, porque quem sou eu, senão o juiz da minha própria mente…

Sou Mulher porque sei o que gosto, sem estar formatada para gostar de isto ou daquilo e de ter a liberdade que o estrogénio me dá de pôr ganchos no cabelo, pintar as unhas de vermelho, usar uma carteira da Pucca e colocar ao pescoço um cachecol do Sporting e fazer um batalhão de Km para estar ao frio, a gritar “só eu sei porque não fico em casa”…

 Eu sei o que gosto, eu sei o que me faz subir a adrenalina no sangue, a gritar até ficar rouca e a murmurar baixinho desesperada. Sei o que me faz cantar sem parar e chorar baixinho, debaixo de uns grandes óculos escuros…

E agora o Benfica já está a perder… Esperemos que ganhe… E que seja um bom SHOW de BOLA…

R.

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Monday, March 5, 2007

Caneta Molin - Esferográfica de Ponta Média

Os post’s que se seguem são dedicados a todos os que não acreditavam que eu conseguia escrever 10 páginas sobre uma Caneta Molin

O que realmente importa, não é história dos objectos, mas como os objectos fizeram história

R.

(trabalho escrito a 4 de Feveiro de 2007)

Posted by Ritocas at 00:23:58 | Permalink | Comments (2)

Introdução

Um espaço museológico, como o próprio nome o indica, está repleto de objectos, que pomposamente se apelidam de bens culturais móveis, e que outros apelidam de quinquilharias, velharias, muitas vezes associado às palavras como sarcófago ou mausoléu, com a quais querem dizer,  Museu.


Este estudo de objecto não é sobre um bem cultural móvel, nem sobre uma quinquilharia, nem sobre uma velharia, nem sobre uma antiguidade, nem sobre nada do que habitualmente se usufruir num Museu.Este estudo de objecto é sobre a caneta Molin.Por mais irreal que este exercício pareça, o estudo de objecto, a relação dele com aqueles que o usam ou usaram, por mais vulgar e comum que seja esse objecto, tem a sua peculiar importância. Porque teve e tem uma utilidade, porque marcou uma geração em termos de imagem, porque teve uma funcionalidade, porque era acessível a todos, ricos ou pobres. Nem que seja só para aqueles que tornam estes objectos os eleitos nas sua colecções fetiche e que, com o tempo, até são o mote de partida para espaços museológicos.A questão que se coloca é perceber que o estudo de um objecto, pode conter em si, não só a visão estruturalista ou funcionalista, mas para si, ou para com quem ele se relaciona, tenha uma relação emotiva, de ligação emocional. O comum do trabalho de educação e divulgação que se realiza num espaço museológica, das premissas fundamentais contidas na definição de Museu do ICOM - International Council of Museums, é o de criar uma relação emocional entre os objectos expostos e as pessoas que os visitam. Os investigadores nesse espaço, deve ser sempre imparciais, objectivos e pragmáticos e colocar sempre de lado as suas emoções face a um determinado objecto.Seria fácil escrever um estudo sobre uma peça sobre a qual não há sentimentos. O maior desafio é, sem dúvida, escrever sobre uma peça que, para além de se ter ligações emocionais e de afectividade, aparece como banal e até ridícula aos olhos dos outros, dos mesmos que apelidam um Museu de sarcófago ou uma antiguidade de velharia.

 

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