Facas e cortes
Não sei porquê, as facas que usamos na cozinha, para fazer aqueles pratos apetitosos pelos quais toda a família e amigos se babam querem dizer muito sobre a nossa maneira de actuar e de estar na vida…
As facas que eu uso são sempre extremamente afiadas… Aliás “faca afiada é faca segura”, já me diziam desde pequenina… Eu sou possessiva com as minhas facas - detesto que as usem ou até que as mexam do sítio onde sempre estão - e claro - só eu é que as posso usar…
As minhas facas custaram um balúrdio - são de lâmina japonesa, cabo de carbono e XPTO, com capinha protectora e tudo…
E fazem um corte espectacular… Os vegetais conseguem ficar todos do mesmo tamanho, simétricos e consigo fazer com que o acto de cozinhar seja constantemente uma forma de estética e - mesmo sabendo que possa ser ridículo - a arte, quer de olhar, quer que fazer….
Confesso que quando as comprei, o gozo era partir legumes a trás de legumes, fazer saladas de fruta para batalhões - só para ouvir o “txac txac txac da “faca de chefe” a bater na tábua de cortar…
E faz um corte limpo, perfeito, imaculado…
De todo o meu conjunto existe uma faca que eu não tenho - “faca da fruta” - aquela pequenina, de lâmina maleável - que faz um corte que tem de ser muito lento, senão não fica perfeito… O que me fez pensar é porque é que eu não tenho esta faca… Se é este o tipo de corte que eu estou a fazer e que estou a sentir que é muito difícil…
Queria cortar como a “faca de chefe” - a que eu uso e o corte que eu - infelizmente - não consigo fazer…
Vou comprar uma “faca de fruta”
R.
