Thursday, June 28, 2007

Em antestreia…

Em antestreia…

Ser beirão

 Quando se fala das beiras, alguém traz à memória um sotaque assibilado, com expressões tão remotas que o moderno ouvido lusitano já não está acostumado. Da cultura beirã vem o uso de expressões, os modos de comunicação e linguagem únicos que facilmente são identificados.

Porém a cultura de um povo não se define só pela forma de falar e de comunicar: são um conjunto de sons, de cheiros, de sabores, de gestos e de expressões tão genuínas como os antepassados que as viram nascer…

O som e o cheiro, cheiro a madressilvas, a mosto, a vinho maduro… este é o cheio das beiras, tão enraizado na pela que quem lá vive, quase já nem o sente: a cultura ligada ao vinho, à vinha, à região do Dão e de Lafões, às vindimas e S. Martinho, ao mosto e às pipas.

Obviamente que associado ao vinho encontra-se sempre a boa comida, inevitavelmente os enchidos, a broa, a marmelada entre outros - é uma ofensa para um beirão que alguém vá a sua casa e não coma, por muito pouco que seja. Em zonas em que a fartura não abunda, em que a pobreza é visível em casa ou lugarejo, é comovente o singelo gesto de oferecer mesmo o pouco que se tem.

 E nestas merendas improvisadas num qualquer alpendre ou sombra, mais prazenteira, o beirão conta histórias de tempos remotos, contos e lendas, recorda antepassados e lugarejos, festas e bailaricos. Fala, conversa e convive, com uma mestria como só ele sabe fazer. Trata-nos como se fossemos a sua família, parentes que de longe o vêm ver e quebrar um pouco a solidão e isolamento a que está devotado.

Em todas as aldeias das nossas serras, existe sempre um rosto enrugado, uma pele queimada pelo sol e um sorriso “de encher a alma” à nossa espera.

Mas falar de cheiros, sabores e paladares, omite em parte, a essência da cultura beirã: o modo único e singular da manufactura tradicional.

Podia-se definir que o artesanato é a expressão mais visível e palpável dessas artes ancestrais, mas também tem de considerar a confecção de pratos culinários típicos, artesanato – o modo como o fumeiro é feito, como são cozidos determinados alimentos, ou que tipo de vasilhame é confeccionado / servido. Pode-se então concluir que a gastronomia beirã é o expoente máximo de artesanato, pois tudo pode ser confeccionado de maneira moderna, contudo sem o mesmo “sabor”: rancho tradicional é confeccionado em panela de ferro forjado, sobre as brasas. O rancho confeccionado em lume de gás e em panela de inox, não é rancho? Claro, mas não tem o mesmo “sabor”!

A preservação das tradições revela-se vital para a sustentabilidade do turismo, nomeadamente o turismo de montanha e de natureza, pois o visitante / turista que visita o interior de Portugal, procura as tradições. Preservar e incentivar a manufactura tradicional, sons, gestos, paladares e modos e tradições são as formas únicas de identificar um povo e de mostrá-lo com o orgulho de ser beirão.

Brevemente numa publicação perto de si…

R.

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Yupi

Yupi!!!

Já tenho faca de fruta….

Obrigado JM.

R.

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Saturday, June 23, 2007

Mote II

“Amou, perdeu-se e morreu amando.”

em Amor de Perdição de Camilo de Castelo Branco

Posted by Ritocas at 21:35:33 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, June 21, 2007

De olhos fechados….

Fecho os olhos… a calma e a paz que me rodeiam não me deixam aperceber que o correr do dia é rápido e que passa, como o som constante desta água que aqui mesmo ao lado me tranquiliza o espírito…

Fecho os olhos… e a minha Alma voa para longe de tudo e de todos, para um lugar feio de céu e nuvens e mar… onde tudo é macio e onde a brisa me envolve como uma manta quentinha num entardecer mais frescote…

Fecho os olhos…e esta sensação boa invade todo o meu ser e vai devagarinho preenchendo todos os espaços ocos de sentimentos, numa sensação de plenitude e tranquilidade que há já muito não sentia…

Fecho os olhos… e ouço a água… estendo as mãos, sinto o seu toque frio e gélido, que arrepia e aquece dizendo: estás aqui…como eu estou aqui…

Fecho os olhos… e a sensação que tenho é que este é o meu espaço, esta é a minha vida, este é o meu lugar…. lugar de ninguém, lugar de alguém… mas que não é, com certeza,  o meu…

Fecho os olhos… e a minha Alma preenche-se de um vazio cheio de nada… e um nada que eu tenho como um tudo… um nada que sou eu…

Fecho os olhos… e não os quero abrir…

R.

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Tuesday, June 19, 2007

Rigoroso…

Este Inverno não está a ser nada rigoroso…

De vez em quando vêm uns dias de sol…

R.

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Monday, June 18, 2007

O meu sabor

Você é Limão:
Você faz para que mereçam a sua confiança. Por isso, é azedo para quem não o conhece, mas muito doce para os outros. Refrescante e boa onda, é também alguém capaz de uma frieza que alguns acham assustadora.

 

De facto, o meu sabor…

R.

http://radiocomercial.clix.pt/animar/testes/gelados/ 

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Sunday, June 17, 2007

Pequenos grandes lugares…

Neste mundo às avessas, existem lugares só nossos, que partilhados com muitos, se tornam nossos, especiais, onde nos sentimos sempre bem, onde encontramos um ou outro par dar dois dedos de conversa ou até para discutir as filosofias do mundo, por mais transcendentes que possam parecer…

Eu tenho desses lugares… lugares onde volto e sou tratada como especial, querida e acarinhada…

Nesses lugares, sinto-me bem… sinto-me protegida…

Nesses lugares posso ser triste e chorar rios de lágrimas que lavam a Alma, posso rir às gargalhadas em alto e bom som e ser contagiada pelo riso alheio… Posso ser deprimida mas não deprimente, posso ser alegre mas não contente, e posso gostar desinteressadamente….

Até rimei…

O que não é vulgar…

É destes lugares, dos “abrigos para onde pudemos fugir”, onde há sempre “um pouco de céu”…

É bom tê-lo tão perto…

R.

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Friday, June 15, 2007

O Mundo às avessas

   O mundo gira ao contrário… Só hoje me apercebi disso…

Quando pensamos que tudo tem o seu porquê, apercebemo-nos que não – que existem momentos e coisas sem causa aparente… Tento não acreditar que cada pessoa só luta por ela própria, mas sim para bem colectivo…

Sempre acreditei que se cada pessoa lutasse por ela, tendo em atenção para não atrofiar os outros, o mundo evoluía, crescia e tornava-se melhor…

Agora vejo que o mundo está às avessas – as pessoas não lutam por elas, lutam para elas e o bem colectivo, esse nunca acontece…

Continuo a acreditar no melhor das pessoas… Todas elas têm algo de mim, algo que quero lindo… São seres de Luz, cheios de energia – que embora às vezes possa ser má e, quando boa, enche um lugar de maneira irradiante e às vezes até linda e brilhante…

Se somos pessoas de Luz? Não, ou pelo menos não a tenho comigo… Perdia com o tempo, com a indiferença, com a desdém, com a amargura, lavada em lágrimas em cada dia que passa e algo mais acontece ao ponto de fazer cair… E quando pensamos nos outros, no bem colectivo, a Luz esfuma-se ainda mais, ficando só um breve e ténue espasmo brilhante que queremos incessantemente não apagar… Ou até queremos… Não sei… O Mundo está às avessas…

Está mesmo às avessas…

R.

 

 

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Monday, June 4, 2007

Escrita

As palavras têm o seu quê de bonito…

Gosto de palavras, de encher a minha vida de palavras e de pensar que posso ajudar outros a encher a vida deles de palavras…

Mas porque raio é que é tão dificil de escrever para alguns? Ou melhor, porq é que não conseguimos todos por, de forma escrita e permanente o que nos vai na Alma sempre qu nos apetece? Porque é tão dificil juntar o sujeito com o predicado ou até colocar as vírgulas no sitio certo?

Eu gostava de encher a minha vida de palavras… Palavras que gosto pela maneira simples com se escrevem ou até pela maneira harmoniosa de as dizer…

Gosto da palavra perene… das palavras água, simples, aconchegante… infinito, possivelmeente, satanás, estar, medo, olhos, alma, livro… concumitantemente, deste modo, de facto, pois, mais ou menos, sim, rua…  Gosto de todas as palavras que tenham dois rr como correr… ou que tenham só um r como rir.., gosto de ditongos como oi, ui, au ou ai…

E que engraçado, dei-me conta que gosto da palavra GOSTAR…

E gostava de um dia de encher uma parede com todas as palavras que gosto… e poder estar tempos infinitos e perenes a olhar para elas…

R. 

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