Wednesday, July 30, 2008
Wednesday, July 23, 2008
As horas
Ter horas marcadas para tudo é algo que nos dias de hoje nos habituámos a fazer e a ter como garantido no nosso dia a dia sem ter de muitas vezes de olhar para o relógio para saber se são quatro e um quatro ou seis e meia…
Habituámos o nosso corpo às horas o sol, às horas em que nos levantamos e quase mecanicamente reagimos às diferentes posições da luz solar…
Em tempo de férias, tudo se altera… Sem horas para levantar ou deitar, sem horas para almoçar ou lanchar, sem horas para praticamente nada…
É neste tempo que queremos estar horas a fio sem fazer nada, na cama ou no sofá ou então a fazer coisas muito mais interessantes nestes locais… é o tempo da preguiça, da moleza, do ver as notícias de vez em quando e quase desaparecer para o mundo…
É o tempo de dizer, com a voz melada : “só mais meia hora, só mais cinco minutos, só mais um bocadinho… fica comigo… agora não te deixo ir… não vais… não quero que vás… só mais uma mão cheia de minutos… por favor…”
E nas férias é altura para ouvir… “Está bem!… Eu fico!…”
R.
Saturday, July 19, 2008
Wednesday, July 2, 2008
Quer dizer o quê?
“-(…) ”Cativar” quer dizer o quê?
-É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer … “criar laços”…
-Criar laços?
-Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho
perfeitamente igual a cem mil
outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu
não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares,
passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo
a ser única no mundo para ti…
(…)
Mas voltou a insistir na mesma ideia:
-Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu caço galinhas e os homens caçam-me a mim. As galinhas são todas parecidas umas com as outras e os homens são parecidos uns
com os outros. Por isso, às vezes, aborreço-me muito. mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos
diferentes de todos os passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus
hão-de chamar- me para fora da toca, como uma música. E depois, repara! Estás a ver aqueles
campos de trigo ali adiante? Eu não gosto de pão e, por isso, o trigo não me serve para nada.
Os campos de trigo não me fazem lembrar nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são
da cor do ouro. Então, quando tu me tiveres cativado, vai ser maravilhoso! O trigo é dourado
e há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do som do vento a bater no trigo…
A raposa calou-se e ficou a olhar para o principezinho durante muito tempo.
-Se fazes favor… Cativa-me! - acabou finalmente por pedir.”
em O Principezinho
Antoine de Saint-Exupéry