O Monstro precisa de amigos

(Roubando o título a um CD dos meus preferidos, vou falar de Monstros e da sua necessidade de ter amigos…)
- Bem, mas que porcaria de título que tu para aqui foste arranjar… mas foi… este… e talvez foi das experiencias mais assustadoras dos últimos tempos… mas o Monstro, de facto, também precisa de amigos… o Monstro… quando algo se transforma em monstro… assim… sem ninguém contar… -
E eu quero é falar do estar habituada a ver algo de uma certa maneira, com algum sentido de belo (sim, presunção, dirão alguns que passaram esta experiencia comigo) e de repente tudo muda… muda um cabelo, muda uma cor, muda um acessório, e deixo de reconhecer qualquer tipo de beleza estética… ou de beleza até (e aqui não digo Puro (a), lol)… deixo de reconhecer beleza estética e deixo de reconhecer a pessoa por debaixo do cabelo e do acessório… deixo de reconhecer e de ser reconhecida… o que, por mais divertido que possa parecer, transformação de patinho em cisne, se calhar, é engraçada - mas o inverso, do belo em Monstro, é terrível… desconfortável… e provoca reacções absolutamente aflitivas, constrangedoras e diferentes…
Passei a louvar e admirar aqueles que conseguem ver a beleza estética para além da capa, do cabelo ou do acessório… aqueles que assistiram à transformação do pato, que conhecendo bem o pato, o acarinhavam e protegeram sempre, mesmo quando chegou a cisne… mas já o faziam quando ele era pato… ou patinho (a) !!!
Pois é, existe uma repugnância – diria até – natural, por tudo o que não é esteticamente belo, sendo que este conceito é tão subjectivo, como complicada a sua aplicação prática e acética. Claro que o conceito tem de ser forçosamente subjectivo, porque os conceitos e percepções do belo variam de pessoa para pessoa, sendo pessoais e com contornos não muitos nítidos – dependendo sempre do contexto, da companhia e claro, da carga etílica… Agora a questão – depende do hábito????
(Pausa – quer para cigarro, quer para deitar para fora uma valente gargalhada de descompressão)
Voltando…
Sim!!!! Mil vezes SIM… porque a experiencia de ontem fez-me ver – e sentir – que se conhecem o monstro e o vêm como ele é – por dentro – consideram-no belo (lá está a presunção outra vez….) – mas se pelo o contrario, sempre o viram belo, quando vêm o mostro – não conseguem separar a feia estética exterior, do interior… porque se habituaram – estranhamente – a uma beleza estética e tu o que não seja usual, torna-se repugnante (bem, que palavra forte…)!!!!!
E acredito mesmo que, no futuro, dificilmente verão o belo, sem pensar no Monstro….
E esta experiência - quando encontrar aquelas pessoas outra vez – elas nunca mais me olharão com os mesmos olhos – mesmo que quatro, como os meus…
E mesmo que o Monstro precise de amigos….